Cultura jovem x
cultura escolar: como promover uma aproximação?
Professora responsável: Dinora Nunes Azevedo Uliano
Teen, garotada, radical, rebelde,
patricinha, mauricinho, tribo, galera são alguns sinônimos que se ouvem na
sociedade para identificar um “ser jovem”, ou seja, atribuir características à
juventude. Segundo o CENSO (1) dos últimos anos, a juventude
brasileira é composta de 34,1 milhões de jovens entre 15 e 24 anos de idade, o
que representa 20,1% do da população do país.
De acordo com Oliveira (2006, p.2),
Nas
últimas décadas do século XX, todas as grandes cidades passam a ter regiões
inteiras ocupadas por jovens que as transformam em espaços de lazer e de vida
noturna. Nesses bairros de ocupação juvenil pode-se desfrutar de certa
liberdade; são locais de encontro de amplos grupos de adolescentes e
estudantes, que marcam a recuperação festiva da rua como lugar de articulação
das relações sociais; são espaços de interação imediata. As esquinas são o
espaço “privado” dos grupos juvenis: ali se encontram, apropriam-se do
território, constroem sua identidade; deixam suas marcas, explicitam suas
idéias, exercitam suas sensibilidades estéticas, ocupam a cidade.
Por
isso é que atualmente são cada vez mais frequentes temas que abordam o
protagonismo juvenil: esportes radicais, gravidez na adolescência, violência,
novas tecnologias, educação, moda. E como a escola tem trabalhado o
protagonismo juvenil em especial a disciplina de Língua Portuguesa?
Certamente que uma das formas de
fazer com o jovem seja protagonista de seu próprio “fazer” é trazer para dentro
do ambiente escolar a realidade vivida por esse jovem fora da escola, porém,
fazendo com que o jovem –aluno- tenha um “olhar diferenciado” para o assunto em
questão. São exemplos de temas atuais que fazem parte da realidade deste jovem:
cyberbulling, grafite, pichações, street dance, pakour, meios digitais. Por
fazerem parte de sua realidade, são atraentes e motivadores para a aprendizagem
em sala de aula.
A disciplina de Língua Portuguesa,
propicia a aproximação da cultura jovem com a cultura escolar, pois, abre uma
“ponte” para o diálogo entre as duas culturas. Por exemplo, ao propor em se
trabalhar o tema Grafite em sala de aula, o professor de Língua Portuguesa
poderá, primeiramente, promover um debate, com a sua supervisão, entre os
alunos sobre o tema: por que trabalhar grafite? Qual a linguagem do grafite?
Qual o objetivo? Quem são as pessoas que fazem uso desta arte? Onde surgiu?
Quem são os seus idealizadores? Ao desenvolver-se o debate, o professor estará
trabalhando a oralidade em sala de aula, com o planejamento prévio da fala, com
a escolha do léxico, a escuta e respeito pelo outro. Além disso, o professor
também poderá utilizar-se dos meios digitais, tais como internet, celular, para
que os alunos pesquisem sobre o tema e utilizem, de forma consciente, destes
meios, pois, de acordo com Braga e Buzato (2012, p. 1) “a internet é uma fonte
de diferentes opiniões e posições e por isso precisa ser explorada de forma
crítica.”.
O aluno poderá buscar, através dos
meios digitais, uma interlocução com especialistas do assunto, assistir a
vídeos, participar de comunidades virtuais mais formais, como blogs, facebook
(BRAGA E BUZATO, 2012, p.6) a fim de enriquecer e se apropriar do tema proposto
a ser estudado em sala de aula: grafite.
Após as pesquisas na sala de
informática e o debate realizado na sala de aula, ambos com a orientação do
professor, poderá ser proposto aos alunos que assistam ao vídeo OS GÊMEOS//GRAFITEIROS//THE TWINS//GRAFFITI e pesquisem na
internet outros vídeos de entrevistas com grafiteiros a fim de que percebam
que, assim como um grupo de jovem se aproxima por elementos comuns formando as
“tribos”, tais como o gosto por esportes radicais, pichações, funk, rap, street
dance, essas “tribos” também possuem uma linguagem própria. Essa variação
linguística das “tribos” também ocorre tanto no nível lexical como no fonético.
Mostrar que a variação da língua é normal (MARCUSCHI E DIONÍSIO, 2007, p. 3) e
que são influenciados por fatores sociais específicos tais como, os
participantes, o contexto social da interação, o tema e a finalidade. Essa
variação muda não somente de região para região, em épocas diferentes, mas
também dentro de um grupo de falantes, assim como o próprio jovem tem o seu
modo de falar dentro ou fora da escola.
Por fim, após as etapas anteriores
de pesquisa e analise das informações coletadas, o professor de Língua
Portuguesa junto com o professor de Arte, poderão elaborar uma proposta de
trabalho que será a produção de um grafite (em grupo) que posteriormente, com a
permissão da direção, poderá ser feita no muro ao redor da escola. Os alunos
verão, nesta etapa, o trabalho final concretizado.
Evitar preconceito dentro da escola,
dar espaço para o jovem “falar” abertamente e ensiná-lo a ter um propósito em
todas as suas manifestações é o papel que a escola deve promover como um espaço
de reflexão a esses jovens que, no senso comum considerados “rebeldes”, “sem
noção”, procuram para serem ouvidos e orientados.
Referências
Bibliográficas
BRAGA, D.; BUZATO, M. LP005: Multiletramentos, Linguagens e
Mídias. Tema 1: Tecnologias e Práticas Comunicativas. Tópico 3: As TICs e o
processo de remediação.. Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. Páginas 1-11.
Material para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.
______________M. LP005: Multiletramentos, Linguagens e
Mídias. Tema 3: Novos letramentos no contexto escolar Tópico 3:
Concretizando propostas de Multiletramentos na escola: alguns caminhos
práticos. Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. Páginas 03-06. Material para AVA
do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.
BENTES, A. C. LP006: Linguagem
Oral: Gêneros e Variedades. Tema 3: O trabalho com as variedades do
português. Tópico 1: O trabalho com as variedades do Português. Campinas, SP:
UNICAMP/REDEFOR, 2012. P.1- 12. Material digital para AVA do Curso de
Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.
MARCUSCHI, L. A.; DIONISIO, A. P. Princípios gerais
para o tratamento das relações entre a fala e a escrita. In: MARCUSCHI, L. A.;
DIONISIO, A. P. (Orgs.) Fala e escrita.
Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2007. P. 13-30.
OLIVEIRA, Rita de Cássia Alves. Lendo a
metrópole comunicacional: culturas juvenis, estéticas e práticas políticas. Revista Académica De La Federación Latinoamericana De Facultades De
Comunicación Social. P. 1-7. Disponível no site: http://ggte.unicamp.br/redefor3/cursos/diretorio/apoio_570_13//Oliveira_2006.pdf?1340720249
Acesso em: 20/06/2012.
Sites:
(1) http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/populacao_jovem_brasil/comentario1.pdf.
Acesso e: 25/06/2012
OS GÊMEOS//GRAFITEIROS//THE TWINS//GRAFFITI (6:57) – Vídeo que mostra a exposição “O peixe
que comia estrelas cadentes”, realizada pelos
Gêmeos na Galeria Fortes Vilaça em São
Paulo, em 2006. Disponível: http://www.youtube.com/watch?v=--‐XLrae8FcP8. Acesso em: 25/06/2012.
Contribuição da Professora Dinora Nunes Azevedo Uliano.
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