sexta-feira, 14 de junho de 2013

Situação de aprendizagem com foco na leitura do texto “PAUSA” de Moacyr Scliar
Professora: Maria Aparecida Mendes



O texto “Pausa” foi retirado do livro
“O carnaval dos animais” de Moacyr Scliar. (Porto Alegre, Movimento, 1968 )>
Os contos de Moacyr Scliar usam como ponto de partida sugestões próximas das vivências do escritor e do leitor,  provenientes do cotidiano.

Público alvo 9º ano do Ensino Fundamental
  
Objetivos da leitura:
* Explorar a construção psicológica da personagem.
* Trabalhar questões explícitas/ implícitas a partir dos elementos da narrativa.
* Enriquecer o vocabulário.
* Reconhecer o advérbio como elementos de construção psicológica da personagem.

Organização da classe em duplas, alunos com maiores dificuldades juntos com alunos com menores dificuldades.

Recursos: Data-show com dados biográficos do autor, o portador de textual e cópia do texto para todos os alunos, uso do dicionário.
Leitura será feita primeiramente em voz alta pelo professor, em seguida silenciosamente e finalmente uma leitura compartilhada por toda a classe.


Pausa - Moacyr Scliar
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,bocejando:
— Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.
— Temos muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente
Ela olhou os sanduíches:
— Por que não vens almoçar?
— Já te disse; muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o chapéu:
— Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas. Estacionou o carro numa travessa quieta. Como pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo.
Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:
 - Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
- Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel.
- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
- Aqui, meu bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto.
Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.
Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a lança Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente: ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
- Já vai, seu Isidoro?
 - Já - disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
- Até domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.
- Não sei se virei - respondeu  Samuel, olhando pela porta; a noite caía.
- O senhor diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo do cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.

Antes da Leitura
Habilidades: Reprodução do contexto de produção, antecipação ou predição.
Levantamento do conhecimentos  prévio sobre o assunto
  • Quem é o autor do texto?
  • Qual o portador do texto?
  • O título do texto: o que seria uma “pausa”?
  • Em que situação você utiliza a “pausa”?
  • Quando você está em estado de “pausa”?
  • Os alunos deverão enumerar os parágrafos do texto.

Durante a leitura
Habilidades:
Localização da informação implícitas do texto.
Localização ou construção do tema ou ideia principal.
Esclarecimentos de palavras desconhecidas a partir de inferência ou consulta a dicionário,

Acompanhamento da leitura feita pelo professor, grifando as palavras desconhecidas e circulando as que podem ser associadas à palavra “pausa”
O professor fará verificação das atividades propostas, incentivando a associação das palavras desconhecida através do contexto e se necessário consultando o dicionário.
Após o trabalho com as palavras desconhecidas, os alunos farão uma leitura silenciosa para a melhor compreensão geral do texto.
Socialização das palavras que foram circuladas, que estão associadas ao título do texto.

Após a Leitura
Habilidades: 
Avaliação crítica do texto.
Construção da síntese semântica do texto.
Utilização em função da leitura. do registro escrito para melhor compreensão.

Questões escritas

  • Uma narrativa é construída por momentos. Em qual parágrafo do texto houve um rompimento entre a situação inicial de tranqüilidade, para uma situação de conflito, ou seja, o clímax da história?
  • Advérbios são palavras que expressam circunstâncias de: tempo, modo, lugar, etc. Retire do texto advérbios que evidenciam a mudança de comportamento da personagem.
  • Durante a leitura, percebemos pistas de que o personagem possa estar escondendo/ocultando algo. Quais são essas pistas?
  • O professor juntamente com alunos traçaram o perfil psicológico do personagem principal.
  • Se o texto acabasse no 23º, qual a possível interpretação do final da história?
 TEXTO DE APOIO

Cotidiano
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.


¢ Em que a letra se assemelha com o tema do conto?
¢ As personagens expressam os mesmos sentimentos e atitudes com relação à rotina?  
¢ Como você imagina que seja o ritmo dessa música?
¢ Como se comportam as mulheres?
¢ O ritmo da música alterou o contexto? De que forma?
¢ Como os vídeos confirmam essa mudança contextual?
¢ Quem é e como aparece nos vídeos o marido?
¢ E a mulher é mesma que você imaginou durante a leitura da letra? Em que ela é diferente?  

SUGESTÕES DE TRABALHO COM OUTROS FILMES E LIVROS
¢Metamorfose, de Kafka;
¢Avatar;
¢O efeito borboleta;
¢Em algum lugar do passado;
¢Como se fosse à primeira vez;
¢Click;
¢Um homem de família.

Nenhum comentário:

Postar um comentário