Situação de aprendizagem com
foco na leitura do texto “PAUSA” de Moacyr Scliar
Professora: Maria Aparecida Mendes
O texto “Pausa” foi retirado do livro
“O carnaval dos animais” de Moacyr Scliar. (Porto Alegre,
Movimento, 1968 )>
Os contos de Moacyr Scliar usam como ponto de partida
sugestões próximas das vivências do escritor e do leitor, provenientes do
cotidiano.
Público alvo 9º ano do Ensino Fundamental
Objetivos da leitura:
* Explorar a construção psicológica da personagem.
* Trabalhar questões explícitas/ implícitas a partir dos elementos da
narrativa.
* Enriquecer o vocabulário.
* Reconhecer o advérbio como elementos de construção
psicológica da personagem.
Organização da classe em duplas, alunos com maiores
dificuldades juntos com alunos com menores dificuldades.
Recursos: Data-show com dados biográficos do autor, o
portador de textual e cópia do texto para todos os alunos, uso do dicionário.
Leitura será feita primeiramente em voz alta pelo professor, em seguida silenciosamente e finalmente uma leitura compartilhada por toda a classe.
Pausa - Moacyr Scliar
Às sete
horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro, fez a
barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha,
preparando sanduíches, quando a mulher apareceu,bocejando:
— Vais sair
de novo, Samuel?
Fez que sim
com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram
espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra
azulada. O conjunto era uma máscara escura.
— Todos os
domingos tu sais cedo — observou a mulher com azedume na voz.
— Temos
muito trabalho no escritório — disse o marido, secamente
Ela olhou os
sanduíches:
— Por que
não vens almoçar?
— Já te
disse; muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher
coçava a axila esquerda. Antes que voltasse à carga. Samuel pegou o chapéu:
— Volto de
noite.
As ruas
ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava
vagarosamente; ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa travessa quieta. Como pacote de sanduíches debaixo do
braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel
pequeno e sujo.
Olhou para
os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão,
acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente.
Esfregando os olhos, pôs-se de pé:
- Ah!
Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
- Estou com
pressa, seu Raul - atalhou Samuel.
- Está bem,
não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu a chave.
Samuel subiu
quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres
gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
- Aqui, meu
bem! - uma gritou, e riu; um cacarejo curto.
Ofegante,
Samuel entrou no quarto e fechou a porta à chave. Era um aposento pequeno: uma
cama de casal,
um guarda-roupa de pinho; a um canto, uma bacia cheia d'água, sobre um tripé.
Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de
viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a
colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o
casaco e os sapatos, afrouxou a gravata.
Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se e fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a mover-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de
sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido.
Samuel
dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa. Perseguido por um índio
montado a cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa,
nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e
resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas.
Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados; índio acabara de trespassá-lo com a
lança Esvaindo-se em sangue, molhado de suor. Samuel tombou lentamente: ouviu o
apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete
horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia,
lavou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu. Sentado numa poltrona, o gerente lia
uma revista.
- Já vai,
seu Isidoro?
- Já -
disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
- Até
domingo que vem seu Isidoro - disse o gerente.
- Não sei se
virei - respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite
caía.
- O senhor
diz isto, mas volta sempre - observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo do
cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes
recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.
Antes da Leitura
Habilidades: Reprodução do contexto de produção, antecipação ou predição.
Levantamento do conhecimentos prévio sobre o assunto
Levantamento do conhecimentos prévio sobre o assunto
- Quem é o autor do texto?
- Qual o portador do texto?
- O título do texto: o que seria uma “pausa”?
- Em que situação você utiliza a “pausa”?
- Quando você está em estado de “pausa”?
- Os alunos deverão enumerar os parágrafos do texto.
Durante a leitura
Habilidades:
Localização da informação implícitas do texto.
Localização ou construção do tema ou ideia principal.
Esclarecimentos de palavras desconhecidas a partir de inferência ou consulta a dicionário,
Localização da informação implícitas do texto.
Localização ou construção do tema ou ideia principal.
Esclarecimentos de palavras desconhecidas a partir de inferência ou consulta a dicionário,
Acompanhamento da leitura feita pelo professor, grifando as
palavras desconhecidas e circulando as que podem ser associadas à palavra
“pausa”
O professor fará verificação das atividades propostas,
incentivando a associação das palavras desconhecida através do contexto e se
necessário consultando o dicionário.
Após o trabalho com as palavras desconhecidas, os alunos
farão uma leitura silenciosa para a melhor compreensão geral do texto.
Socialização das palavras que foram circuladas, que estão
associadas ao título do texto.
Após a Leitura
Habilidades:
Habilidades:
Avaliação crítica do texto.
Construção da síntese semântica do texto.
Utilização em função da leitura. do registro escrito para melhor compreensão.
Construção da síntese semântica do texto.
Utilização em função da leitura. do registro escrito para melhor compreensão.
Questões escritas
- Uma narrativa é construída por momentos. Em qual parágrafo do texto houve um rompimento entre a situação inicial de tranqüilidade, para uma situação de conflito, ou seja, o clímax da história?
- Advérbios são palavras que expressam circunstâncias de: tempo, modo, lugar, etc. Retire do texto advérbios que evidenciam a mudança de comportamento da personagem.
- Durante a leitura, percebemos pistas de que o personagem possa estar escondendo/ocultando algo. Quais são essas pistas?
- O professor juntamente com alunos traçaram o perfil psicológico do personagem principal.
- Se o texto acabasse no 23º, qual a possível interpretação do final da história?
TEXTO DE APOIO
Cotidiano
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.
Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
¢ Em
que a letra se assemelha com o tema do conto?
¢ As
personagens expressam os mesmos sentimentos e atitudes com relação à
rotina?
¢ Como
você imagina que seja o ritmo dessa música?
¢ Como
se comportam as mulheres?
¢ O
ritmo da música alterou o contexto? De que forma?
¢ Como
os vídeos confirmam essa mudança contextual?
¢ Quem
é e como aparece nos vídeos o marido?
¢ E
a mulher é mesma que você imaginou durante a leitura da letra? Em que ela é diferente?
SUGESTÕES DE TRABALHO COM OUTROS FILMES
E LIVROS
¢Metamorfose,
de Kafka;
¢Avatar;
¢O
efeito borboleta;
¢Em
algum lugar do passado;
¢Como
se fosse à primeira vez;
¢Click;
¢Um
homem de família.
T


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