quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cultura jovem x cultura escolar: como promover uma aproximação?

Professora responsável: Dinora Nunes Azevedo Uliano

            Teen, garotada, radical, rebelde, patricinha, mauricinho, tribo, galera são alguns sinônimos que se ouvem na sociedade para identificar um “ser jovem”, ou seja, atribuir características à juventude. Segundo o CENSO (1) dos últimos anos, a juventude brasileira é composta de 34,1 milhões de jovens entre 15 e 24 anos de idade, o que representa 20,1% do da população do país.
            De acordo com Oliveira (2006, p.2),

Nas últimas décadas do século XX, todas as grandes cidades passam a ter regiões inteiras ocupadas por jovens que as transformam em espaços de lazer e de vida noturna. Nesses bairros de ocupação juvenil pode-se desfrutar de certa liberdade; são locais de encontro de amplos grupos de adolescentes e estudantes, que marcam a recuperação festiva da rua como lugar de articulação das relações sociais; são espaços de interação imediata. As esquinas são o espaço “privado” dos grupos juvenis: ali se encontram, apropriam-se do território, constroem sua identidade; deixam suas marcas, explicitam suas idéias, exercitam suas sensibilidades estéticas, ocupam a cidade.

Por isso é que atualmente são cada vez mais frequentes temas que abordam o protagonismo juvenil: esportes radicais, gravidez na adolescência, violência, novas tecnologias, educação, moda. E como a escola tem trabalhado o protagonismo juvenil em especial a disciplina de Língua Portuguesa?
            Certamente que uma das formas de fazer com o jovem seja protagonista de seu próprio “fazer” é trazer para dentro do ambiente escolar a realidade vivida por esse jovem fora da escola, porém, fazendo com que o jovem –aluno- tenha um “olhar diferenciado” para o assunto em questão. São exemplos de temas atuais que fazem parte da realidade deste jovem: cyberbulling, grafite, pichações, street dance, pakour, meios digitais. Por fazerem parte de sua realidade, são atraentes e motivadores para a aprendizagem em sala de aula.
            A disciplina de Língua Portuguesa, propicia a aproximação da cultura jovem com a cultura escolar, pois, abre uma “ponte” para o diálogo entre as duas culturas. Por exemplo, ao propor em se trabalhar o tema Grafite em sala de aula, o professor de Língua Portuguesa poderá, primeiramente, promover um debate, com a sua supervisão, entre os alunos sobre o tema: por que trabalhar grafite? Qual a linguagem do grafite? Qual o objetivo? Quem são as pessoas que fazem uso desta arte? Onde surgiu? Quem são os seus idealizadores? Ao desenvolver-se o debate, o professor estará trabalhando a oralidade em sala de aula, com o planejamento prévio da fala, com a escolha do léxico, a escuta e respeito pelo outro. Além disso, o professor também poderá utilizar-se dos meios digitais, tais como internet, celular, para que os alunos pesquisem sobre o tema e utilizem, de forma consciente, destes meios, pois, de acordo com Braga e Buzato (2012, p. 1) “a internet é uma fonte de diferentes opiniões e posições e por isso precisa ser explorada de forma crítica.”.
            O aluno poderá buscar, através dos meios digitais, uma interlocução com especialistas do assunto, assistir a vídeos, participar de comunidades virtuais mais formais, como blogs, facebook (BRAGA E BUZATO, 2012, p.6) a fim de enriquecer e se apropriar do tema proposto a ser estudado em sala de aula: grafite.
            Após as pesquisas na sala de informática e o debate realizado na sala de aula, ambos com a orientação do professor, poderá ser proposto aos alunos que assistam ao vídeo OS GÊMEOS//GRAFITEIROS//THE TWINS//GRAFFITI e pesquisem na internet outros vídeos de entrevistas com grafiteiros a fim de que percebam que, assim como um grupo de jovem se aproxima por elementos comuns formando as “tribos”, tais como o gosto por esportes radicais, pichações, funk, rap, street dance, essas “tribos” também possuem uma linguagem própria. Essa variação linguística das “tribos” também ocorre tanto no nível lexical como no fonético. Mostrar que a variação da língua é normal (MARCUSCHI E DIONÍSIO, 2007, p. 3) e que são influenciados por fatores sociais específicos tais como, os participantes, o contexto social da interação, o tema e a finalidade. Essa variação muda não somente de região para região, em épocas diferentes, mas também dentro de um grupo de falantes, assim como o próprio jovem tem o seu modo de falar dentro ou fora da escola.
            Por fim, após as etapas anteriores de pesquisa e analise das informações coletadas, o professor de Língua Portuguesa junto com o professor de Arte, poderão elaborar uma proposta de trabalho que será a produção de um grafite (em grupo) que posteriormente, com a permissão da direção, poderá ser feita no muro ao redor da escola. Os alunos verão, nesta etapa, o trabalho final concretizado.
            Evitar preconceito dentro da escola, dar espaço para o jovem “falar” abertamente e ensiná-lo a ter um propósito em todas as suas manifestações é o papel que a escola deve promover como um espaço de reflexão a esses jovens que, no senso comum considerados “rebeldes”, “sem noção”, procuram para serem ouvidos e orientados.



Referências Bibliográficas

BRAGA, D.; BUZATO, M. LP005: Multiletramentos, Linguagens e Mídias. Tema 1: Tecnologias e Práticas Comunicativas. Tópico 3: As TICs e o processo de remediação.. Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. Páginas 1-11. Material para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.

______________M. LP005: Multiletramentos, Linguagens e Mídias. Tema 3: Novos letramentos no contexto escolar Tópico 3: Concretizando propostas de Multiletramentos na escola: alguns caminhos práticos. Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. Páginas 03-06. Material para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.

BENTES, A. C. LP006: Linguagem Oral: Gêneros e Variedades. Tema 3: O trabalho com as variedades do português. Tópico 1: O trabalho com as variedades do Português. Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. P.1- 12. Material digital para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.

MARCUSCHI, L. A.; DIONISIO, A. P. Princípios gerais para o tratamento das relações entre a fala e a escrita. In: MARCUSCHI, L. A.; DIONISIO, A. P. (Orgs.) Fala e escrita. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2007. P. 13-30.

OLIVEIRA, Rita de Cássia Alves. Lendo a metrópole comunicacional: culturas juvenis, estéticas e práticas políticas. Revista Académica De La Federación Latinoamericana De Facultades De Comunicación Social. P. 1-7. Disponível no site: http://ggte.unicamp.br/redefor3/cursos/diretorio/apoio_570_13//Oliveira_2006.pdf?1340720249 Acesso em: 20/06/2012.

Sites:

OS GÊMEOS//GRAFITEIROS//THE TWINS//GRAFFITI (6:57) – Vídeo que mostra a exposição “O peixe que comia estrelas cadentes”, realizada pelos Gêmeos na Galeria Fortes Vilaça em São Paulo, em 2006. Disponível: http://www.youtube.com/watch?v=--XLrae8FcP8.  Acesso em: 25/06/2012.


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